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Administrativo

06/03/2015

Mulher militar estadual: soma de garra, delicadeza, força e dedicação...

Por Marcia Santos
Jornalista PMPR

Seja correndo atrás de um marginal, saltando valetas e pulando muros, segurando uma arma de fogo no serviço operacional – nas matas, rios e estradas – seja planejando ações, desenhando estratégias e pensando os destinos da PM em meio a papéis, canetas e computadores no trabalho administrativo. Nos mais diferentes e longínquos rincões do estado do Paraná, lá está ela: a mulher policial ou bombeiro militar, que com inteligência, persistência e garra vêm ganhando, desde 1977, cada vez mais espaço na corporação de 161 anos, Polícia Militar do Paraná.

Hoje elas representam cerca de 8,15% do total do efetivo, compõem todos os postos e graduações, e ocupam funções diversas e até de comando, numa corporação predominantemente masculina. É o caso, por exemplo, da coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rocha, que hoje é Chefe de Segurança da Vice-Governadora Cida Borghetti e Assessora para Assuntos de Segurança Pública na Vice-Governadoria do Palácio do Governo do Estado. Ela está na corporação desde 1985 e faz parte da terceira turma da Escola de Oficiais.

“Quando ingressei na corporação era bem restrito, hoje a mulher trabalha em todos os segmentos da Polícia Militar, então foi reconhecido o valor do nosso trabalho”, avalia Audilene, que já Comandou, por um período, o 8º Batalhão da PM, em Paranavaí (norte) e ocupou outras funções importantes como Chefia do Estado Maior do 3º CRPM, em Maringá (PR). “Acho que tivemos um avanço nos últimos anos, mas a mulher policial do Paraná ainda não alcançou o patamar que outras policiais militares ocupam em outros estados; mas acredito que isso é algo gradual”, completa.

E por falar em comando, outra tenente-coronel que despontou na corporação é Karin Denise Krasinski, atual comandante da Academia Policial Militar do Guatupê (APMG) – berço da formação do militar estadual no Paraná. “Nós mulheres temos hoje a conquista do espaço estabelecida, a presença da mulher no ambiente militar já não causa mais estranheza, já é transparente e natural. A conquista foi, sim, difícil, mas já está vencida, assim como a comparação de capacidades; apenas cada um, homem ou mulher, desempenha sua função em seu espaço”, destaca.

No entanto, apesar da evolução, a carreira militar, segunda ela, não atraiu a mulher, e isto é visível no número de mulheres que ingressaram na corporação no último concurso para soldado. Das 2.433 vagas ofertadas, 581 foram ocupadas por policiais ou bombeiros militares femininas, ou seja, 23,8%. “Tivemos mais de 120 mil inscrições e a minoria foi preenchida por mulheres, no concurso para oficiais elas foram 10%, ou seja de 40 pessoas que ingressaram, quatro são mulheres”, revela.

Além das funções de Comando, a corporação conta hoje com mulheres que se destacam em atividades consideradas estritamente masculinas devido à exigência de grande esforço físico, no serviço operacional (nas ruas). Neste campo, a soldado Marcia Falkievicz, que compõe há 2 anos a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) do 20º Batalhão, situado na capital, é um dos exemplos na capital. Com 7 anos de corporação, está na unidade desde a época que fez Escola de Formação.

“Não desmereço as funções que as outras policiais militares desempenham na corporação, mas o trabalho na ROTAM – equipe diferenciada que atua em casos mais críticos – exige mais dedicação, e garanto que qualquer uma de nós policiais pode estar nesta posição, só precisa de empenho e persistência”, orienta. Ela também lembrou que para uma mulher policial, no começo “o mais desafiante é ser mulher na polícia, mas quando eles [os homens] veem que você quer trabalhar, que você também pode fazer o trabalho deles, aceitam bem e respeitam, resumindo, cada um, independente de ser homem ou mulher, tem sua limitação. Escolhi ser policial militar, sempre quis, trabalho na rua e ainda concilio com a vida familiar.”

No interior do Estado não é diferente, o perigo e a criminalidade também não assustam as mulheres policiais, que como a soldado Janaína Francisca Tolfo (que hoje atua no Serviço Reservado do Batalhão de Polícia de Fronteira - BPFron), combatem o crime em áreas consideradas de risco. “Hoje já quebramos o antigo tabu de que usar farda era coisa de homem, ou seja, quando você deixa o profissionalismo em evidência, é reconhecida na corporação.”

Ainda é uma missão árdua de acordo com ela, principalmente trabalhando na rota do tráfico e descaminho, combatendo os crimes fronteiriços. “Aqui no BPFRon tive a experiência de trabalhar na equipe COBRA – pelotão anfíbio – o qual realiza patrulhamento aquático. Neste caso temos que deixar toda a vaidade de lado e focar somente no trabalho, pois ficamos molhados o dia todo, passamos dias a fio na mata e estradas da mesma forma que os homens”, descreve a Janaína, que entrou na corporação em 2010 e está no BPFron desde 2012.

Nos 12 km de rodovias estaduais, a coisa não é diferente, a mulher é atuante em motos e viaturas: “Eu sempre quis ser polícia, nasci para isso, e ser rodoviária é tudo, é minha vida, estar entre eles [homens] com igualdade é muito mais que um mérito conquistado por nós mulheres”, avalia a soldado Adriana Gomes de Araújo, que atualmente trabalha no posto, do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), situado na Estrada da Graciosa (próximo ao litoral).

A Capitão Ivane Jenk, da Agência Central de Inteligência (ACI), por sua vez, foi a primeira mulher da Polícia Militar do Paraná a frequentar e concluir o curso, do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) – na época Choque –, chamado Controle de Distúrbios Civis (CDC), em 2007. “O crescimento de mulheres na corporação é público e notório, tanto em quantidade como em qualidade. Fico satisfeita em desempenhar as mesmas funções que eles, a profissão por si só é seletiva, mas conseguimos”, disse a oficial, que tem 18 anos de corporação. Depois de Ivane, a tenente Caroline Costa Picetskei também frequentou o CDC em 2009.

“Podemos dizer que foi uma grande honra, pois antes era somente homem que fazia, isso demonstra a PM esta cada vez mais abrindo espaço para nós mulheres, e só depende de nós para irmos além”, diz Costa. Outras Guerreiras, que também entraram no choque e permanecem, representando a conquista das mulheres na corporação, são as soldados Ednea Santos de Oliveira (4 anos de corporação) e Juliana Assis da Silva (9 anos de corporação). “Para nós é uma vitória, já faz dois anos, antes era só homem no choque. Foi exigido muito da gente, como resistência física, hoje trabalhamos no canil”, conta Ednea.

A mulher na PM está ganhando tanta representatividade que já está na segunda geração: A primeira coronel da PM, Miriam Biancolini Nobrega, que ingressou em 1977, tem uma filha na corporação, a tenente Anahy Biancolini Nobrega, que trabalha no 20º da PM, e entrou na caserna em 2008. “Aprendi dentro de casa, e desde muito cedo o valor, a responsabilidade e o nobre serviço prestado pela Policia Militar do Paraná. Acompanhei a trajetória de minha mãe dentro da corporação, com muitas dificuldades e obstáculos que foram sendo transformados em espaço para a atuação e demonstração da capacidade da policial feminina.”

“Sinto-me capaz no trabalho que desempenho, orgulhando-me da profissão que escolhi e de carregar a tradição de meus pais, procurando dar continuidade em tudo aquilo que aprendi”, complementa a tenente. Já a coronel, que está na reserva remunerada, afirma que os sentimentos de mãe e policial ficam divididos com as preocupações inerentes que enfrenta em seu cotidiano. “Vencer desafios e conseguir ingressar para a corporação tornou-se uma grande alegria e honra. Agora vejo em minha filha a continuidade de uma profissão que sempre enfrentei com muita dignidade. Compartilhamos e dividimos as experiências, buscando sempre incentiva-la”, destaca Miriam.

E sobre este assunto, após um árduo trabalho teórico e de pesquisa, a Capitão Sharon Chris Wszolek, que trabalha atualmente na Diretoria de Ensino e Pesquisa (DEP), concluiu sua dissertação de mestrado no II Congresso Internacional sobre as Condições de Trabalho da PM, na Universidade do Porto, em Portugal. “Decidi falar sobre isso, pois é importante destacar o trabalho da mulher dentro da corporação. Meu objetivo é fortalecer as relações de gênero e das relações interpessoais”, disse.

HISTÓRIA – De acordo com artigo da oficial e primeira tenente-coronel, Rita Aparecida de Oliveira, em 19 de abril de 1977, por meio do Decreto Estadual nº 3.238, foi criado o pelotão de Polícia Militar Feminina, com a inclusão e matrículas de 42 recrutas, selecionadas para o 1º Curso de Formação de Sargentos PM Fem, do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Ela era uma delas. Desde então, o Paraná passou a ser o segundo estado do país que permitiu o ingresso da mulher na sua Polícia Militar, depois de São Paulo. A maioria delas foi incluída em 20 de outubro de 1977.

O primeiro o CFS PM Fem, também o primeiro na história da PMPR, realizou-se no período de 07 de novembro daquele ano até 16 de junho de 1978. Formaram-se 27 sargentos policiais femininas, sendo as quatro primeiras colocadas promovidas à graduação de 2º e as demais a 3º sargentos. Em 1979 iniciaram-se na Academia Policial Militar do Guatupê (APMG) e no CFAP, respectivamente, os primeiros Cursos de Formação de Oficiais e de Formação de Soldados da PM Fem. E, em 1980, foi a vez do Curso de Formação de Cabos PM Fem. Todos pioneiros no Brasil.

A organização de Polícia Militar Feminina tinha, inicialmente, e em decorrência da lei Estadual nº 6.774/76, a missão de policiamento ostensivo, atuando na segurança pública principalmente no que se refere à proteção de menores, mulheres e anciãos. A partir de agosto de 1981 tudo começou a mudar. Pela primeira vez no Brasil as policiais militares foram aplicadas no policiamento de trânsito, segundo artigo da tenente-coronel Aparecida.

No primeiro semestre de 1982, em razão da necessidade de se expandir o policiamento feminino para o interior do estado e saindo mais uma vez na frente, criou-se o Pelotão PM Fem na cidade de Londrina. Em 1983, as cidades de Maringá e Ponta Grossa também foram agraciadas com a presença da mulher policial militar. No ano de 1984, foi a vez de Cascavel, e Foz do Iguaçu, em 1988. Posteriormente, foi a cidade de Guarapuava, e depois um pelotão com efetivo específico para o então Centro de Operações Policiais Militares (COPOM).
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