Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai foi o conflito épico internacional mais violento do século XIX na América Latina, onde houve o envolvimento da tríplice aliança, Brasil, Uruguai e Argentina contra o Paraguai, e de acordo com historiadores, os reais motivos para o desencadeamento desse conflito ainda são controversos, sabe-se que foram por um conjunto de motivos, políticos, econômicos e geográficos, bem como não se sabe o número exato de mortos, variando em bastantes as diversas fontes quanto a este quantitativo.

 

Criação dos Corpos de Voluntários da Pátria

Esses Corpos foram organizados com a participação voluntária da população e integrantes das Forças Armadas e organizações policiais já organizadas. No Paraná era a Companhia da Força Policial, atual PMPR.

Em 11 de novembro de 1864, Francisco Solano López fecha ao Brasil o acesso pelo rio Paraguai, e ordena captura o vapor Marques de Olinda, que no dia 12 foi perseguido e aprisionado pelo vapor paraguaio Tacuari, e aprisiona o coronel Frederico Carneiro Campos, recém nomeado presidente do Mato Grosso, onde todos os passageiros e tripulantes foram mantidos presos, tendo todos morridos, por maus tratos e fome, e armas, dinheiro, armamentos que estavam na embarcação brasileira, também foram confiscados.

O vapor Marques de Olinda foi confiscado e passou a fazer parte da marinha paraguaia, porém indo a pique no dia 11 de junho de 1965 na batalha do Riachuelo, quando foi abalroado pela fragata da Marinha Imperial Amazonas que funcionava como um aríete, afundando além do Marques de Olinda, outras duas embarcações e inutilizando mais uma.

No dia 13 de novembro de 1864 as relações diplomáticas entre o Brasil e o Paraguai se romperam e a guerra explodiu medonha e sinistra. As tropas paraguaias ocuparam Corrientes na Argentina, invadiu o Mato Grosso e tomou o Forte Coimbra, na cidade de Corumbá e a Colônia Militar dos Dourados.

No período da Guerra do Paraguai, a Companhia da Força Policial era comandada pelo capitão Manoel Eufrásio de Assumpção. Nessa época a Companhia da Força Policial da Província do Paraná tinha apenas onze anos de existência e contava com um efetivo de 71 homens.

Havia a necessidade do recrutamento de paranaenses para a formação dos Corpos de Voluntários e complementação dos efetivos do Exército.

 

 
Oficiais Recrutadores no Paraná
  • Tenente Antônio Emílio Vaz Lobo, recrutador da Comarca de Curitiba.
  • Alferes Nicolau José Lopes, recrutador da comarca de Castro.
  • Alferes Nestor Augusto Morocines Borba.

No decorrer dos anos de 1868 a 1870, seguiram para a guerra, juntamente com pequenos grupos isolados, mais 11 PM.

Assim, durante a Guerra do Paraguai, o número de voluntários oriundos das fileiras da Cia., da Força Policial, totalizou 65 homens, sendo:

  • 03 Oficiais
  • 03 Sargentos
  • 04 Músicos
  • 04 Corneteiros
  • 51 Cabos e Soldados

 

 
Destaques de Policiais Militares na Guerra do Paraguai

Destacamos aqui os nomes de alguns PM que se distinguiram no campo de luta durante a longa e penosa jornada de cinco anos, assinalando a sua bravura e valor indômito em todos os combates, num atestado vivo de sua conduta e acendrado patriotismo. Seus feitos foram coligidos nas Ordens do Dia do Exército, cuja coleção é carga do Museu Histórico da PMPR e em outros documentos da época.

Do Paraná as baterias de Itapiru; do Passo da Pátria ao Estero Belaço; de Tuiuti as linhas de Pequiricy; do estabelecimento a Humaitá; de Itororó a Havaí; de Vileta a Lomas Valentina, de Augustura a Assunção; de Escurra a Perbebui; de Campo Grande a Caacupe; na esteira dessas etapas gloriosas vencidos pelas tropas brasileiras, através de mil perigos e sacrifícios, seguem igualmente os policiais-militares, sagrados heróis, entre inúmeras vitórias conquistadas. E ao lado dos seus irmãos de armas, vão também caindo, um após outros, feridos e mortos, bravos policiais-militares, marcando o solo inimigo com o sangue derramado em defesa da Pátria.

  • Francisco Alves Pereira Martins: galgou o posto de Tenente no 13.º CVP e em 20 de março de 1966 obteve baixa do serviço e foi dispensado da comissão do posto por haver adquirido moléstia em campanha.
  • Manoel José da Costa: pela sua bravura foi nomeado Tenente em comissão por Decreto de 19 de agosto de 1867, sendo que no dia 20 de março de 1868 foi agraciado como Cavaleiro da Ordem da Rosa pelo Imperador.
  • Manoel Nascimento e Silva: destacou-se com abnegação e bravura em vários combates.
  • Antônio José de Almeida Bicudo: foi incorporado como 2.º Sargento no 16.º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, tendo saído ferido no combate travado no dia 19 de fevereiro de 1868 como integrante do 31.º Corpo de Voluntários da Pátria.
  • Caetano José Gonçalves: ferido no combate do dia 2 de maio.
  • Antônio José Rodrigues: ferido no combate travado no dia 17 de abril de 1866, nas margens do Rio Paraná. Promovido a 2.º Sargento, tombou morto no combate de 22 de setembro de 1868.
  • Manoel Jacinto Pinheiro: morto no combate do dia 07 de outubro de 1867, no bombardeio de linhas avançadas, pertencia ao 29.º Corpo de Voluntários.
  • Manuel dos Santos: ferido no combate de 16 de julho de 1866, sendo soldado do 25.º Corpo de Voluntários.
  • Bento Luciano da Silva Cordeiro: galgou o posto de Tenente em comissão no 25.º Corpo de Voluntários, sendo que pela ordem-do-dia n.º 443, de 21 de abril de 1865 do Ministro da Guerra, foi designado para servir na província de Mato Grosso.
  • Amâncio José da Luz: consta na ordem-do-dia n.º 534, de 16 de novembro de 1866, que obteve baixa do 25.º Corpo de Voluntários e passou adido à companhia de inválidos da província de São Pedro do Rio Grande do Sul.
  • João Batista de Oliveira: ferido no combate de Curupaiti, conforme ordem-do-dia n.º 88, de 10 de outubro de 1866.
  • João Antônio da Luz: conforme a ordem-do-dia n.º 517, de 07 de junho de 1866 integrava a tropa que ocupou a ilha paraguaia em frente ao forte de Itapiru, na margem direita do Alto Paraná.
  • Manoel Marcelino: ferido no combate de 25 de dezembro de 1868, em Lomas Valentinas.
  • Antônio Joaquim Santana: cabo ferido no combate de 25 de dezembro de 1868, em Lomas Valentinas.
  • Antônio José de Lima: ferido no combate do dia 18 de julho de 1866 e reformado pela ordem-do-dia n.º 619 de 1868 em consequência de ferimento recebido em combate.
  • Francisco Antônio de Oliveira: cabo ferido no combate do dia 18 de julho de 1866, sendo que pela ordem-do-dia n.º 618 de 1868, foi promovido ao posto de Alferes do Exército pelos relevantes serviços prestados na guerra contra o governo do Paraguai e no dia 31 de julho de 1868 foi investido no cargo de ajudante de ordens do Presidente da Província da Paraíba.
  • Bento José Vieira: ferido no combate do dia 18 de julho de 1866.

 

 
Destaques Especiais

Vicente Nery Pereira

Soldado, nasceu em Rancho Alto, lugarejo da antiga Província de Minas Gerais em 1834. Seus pais eram escravos numa mina de ouro das alterosas. Até os vinte e poucos anos de idade, viveu na escravidão, obtendo a concessão de liberdade em 1858, dado os seus dotes de homem íntegro e comportado. Veio para o Paraná. Aqui, a 13 de janeiro de 1859 prestou o juramento aos “Santos Evangelhos” e ingressou nas fileiras da Companhia da Força Policial, como voluntário por quatro anos. Na Corporação, dedicou-se a manutenção da ordem pública no interior paranaense: Castro, Ponta Grossa e na Barreira da Graciosa.

Mercê de longa e constante dedicação ao serviço, impôs-se a estima e conquistou, pela correção de sua atitude, a admiração e o respeito dos habitantes dos lugares onde serviu. Em 1865, o Brasil entrou na guerra contra o Paraguai, o bravo soldado, correspondendo ao apelo patriótico, apresentou-se como voluntário a 02 de abril daquele ano, para incorporar-se ao cargo de Voluntários da Pátria, organizado no Paraná. Durante os cinco anos da campanha, praticou serviços relevantes e ações de bravura no campo de luta. Foi atacado de cólera morbus. Teve participação ativa e brava em todas as grandes batalhas em que tomou parte sob as ordens de Osório, Caxias e Conde d’Eu, entrando com as tropas vitoriosas em Assunção a 05 de janeiro de 1869. Como herói retornou as fileiras da milícia paranaense em 17 de setembro de 1871, um ano após o término da guerra. Pela brilhante façanha, a 10 de julho de 1875, recebeu a medalha da Campanha Geral do Paraguai (mais alta condecoração do Império) criada pelo Imperador Dom Pedro II em 06 de agosto de 1870, outorgada como recompensa pelos relevantes serviços prestados aos combatentes, na Guerra do Paraguai.

 

 

 

Vicente Nery Pereira

 

João José Pichet

No mês de fevereiro de 1865, foi formada a 1ª Cia., de Voluntários paranaenses. Em 27 de fevereiro de 1867, o alferes da Força Policial foi incorporado nessa Cia., como Voluntário da Pátria. No dia 03 de março de 1865, essa Cia., seguiu para os campos de batalha. No dia 25 de novembro de 1865, é publicado no jornal “Dezenove de Dezembro, a notícia de ter falecido no hospital de Salto, a 16 de setembro o alferes João José Pichet, que havia marchado aqui do Paraná em defesa da Pátria. Poucos dados pudemos colher a respeito deste PM, nascido em Curitiba em 1846, tinha dezenove anos quando partiu para a campanha, nomeado oficial subalterno da 1ª Cia., de Voluntários da Pátria. Era oficial da PMPR.

Lá no teatro da guerra a um quilômetro de Concórdia (cidade Argentina da margem Uruguai) acamparam e permaneceram um mês e meio. No hospital militar dessa cidade faleceu João José Pichet, o jovem patriota paranaense que tantas esperanças nutria de voltar a Pátria e ao seio da família, coberto de glórias. Foi enterrado no cemitério onde está até os dias de hoje a espera de transporte para a sua terra aqui no Paraná.

 

João José Pichet

 

Fidêncio Lemos do Prado

25 de janeiro de 1865, apresentou-se como voluntário com destino ao Paraguai, sendo a 08 de março, incorporado na 4ª Cia., do 27º Corpo de Voluntários da Pátria. Participou dos combates de 22 e 24 de maio, onde foi ferido. Participou em Tuiuti, Tuiaqué, Salce, Curupaiti, Humaitá, e Lomas Valentinas, na redenção de Augustura e Assunção. Foi elogiado em Ordem do Dia, do comandante das forças de Manduvira, por haver com valor, abnegação e constância, suportado as fadigas de cinco anos de campanha.

No Paraguai. No dia 7 de maio de 1880, foi-lhe concedido às honras do posto de alferes do Exército em atenção aos relevantes serviços de guerra. O bravo e patriótico curitibano, residia, no ano de 1922, em Imbituva/PR, onde gozava de estima e respeito geral e, apesar de sua avançada idade, ainda forte, conservava a vivacidade e ardor patriótico de sua mocidade. Fidêncio Lemos do Prado, que serviu a Polícia Militar, por dois meses e sete dias, faleceu com as honras do posto de major do Exército brasileiro.

 

Fidêncio Lemos do Prado

 

Clarimundo José da Silva

Foi um dos primeiros voluntários a seguir para o Paraguai. Com a ausência de corneteiros no batalhão de Voluntários da Pátria, o coronel Pinheiro Guimarães, sugeriu que Clarimundo treinasse o ouvido da soldadesca ao pistão. Quis o comandante fazê-lo cornetiro-mor, mas ele não aceitou e partiu como simples soldado. Esteve em Tuiuti e fez a Dezembrada. Foi vítima de epidemias como a cólera e a varíola, mas voltou Sargento e com peito coberto de medalhas, entre elas a de campanha com o passador nº 5. Aqui chegando foi nomeado Mestre da Banda de Música da PMPR.

silva

 

Antônio Roberto

Seguiu para a guerra como corneteiro destacando-se com bravura em todos os combates. Foi um dos primeiros brasileiros a adentrar ao palácio do ditador Solano López em Assunção.

Antônio Roberto

 

 

Resgate da Bandeira Imperial do Brasil

Quando o Exército Brasileiro entrou na cidade de Assunção, capital do PARAGUAI. No dia 5 de janeiro de 1869, comandada pelo General OSÓRIO, não fora encontrado ninguém.

Depois que a tropa brasileira se aquartelou, o Ten Fidêncio Lemos do Prado, o Mestre de Música Clarimundo José da Silva e o Corneteiro-mor Antonio Roberto se dirigiram ao Palácio do ditador Solano López.

No interior, apreciaram a beleza do palácio, sua arquitetura lhes chamava à atenção. Seguiram em direção ao último andar, onde encontraram o gabinete, que era o escritório do ditador Paraguaio. Ai encontrou uma Bandeira Imperial Brasileira estendida no chão, na frente da cadeira do referido ditador servindo-lhe de tapete.

O Ten Fidêncio Lemos do Prado, levantou-a e a levou consigo. Seriam, talvez, 4 horas da tarde. Às 5 horas, encontraram três paraguaios: Romão Braga, Ocalino Banio e João Martins, que faziam parte do piquete que acompanhara o ditador e tinham ficado refugiados nos arredores da cidade. 

Estes ao serem inquiridos como foi que Solano López obtivera aquela bandeira, os três afirmaram que quando haviam aprisionado o “Vapor Marquês de Olinda”, que levava a bordo o Cel. Carneiro Campos, Governador da província de Mato Grosso, foram tiradas duas bandeiras do Vapor. Uma delas ficara no quartel de Humaitá para servir de tapete, e a outra viera para o palácio de Solano López, na Capital, destinada a mesma serventia.

O Ten Fidêncio Lemos do Prado, guardou a bandeira em sua mochila. Quando regressou do Paraguai, trouxe a preciosa relíquia, conservando-a com carinho, em sua residência, como recordação do tempo em que defendeu a Pátria.

Seu desejo era que aquele Pavilhão lhe servisse de mortalha quando morresse.  Um dia, indo ao Rio de Janeiro, assistir o Centenário (da independência), levara a bandeira para oferecê-la ao Conde d’Eu. O Conde morreu antes que chegasse ao Rio de Janeiro.

Hoje, a Bandeira Imperial resgatada por policiais-militares da Companhia da Força Policial do Paraná (PMPR), na guerra do Paraguai, encontra-se encerrada numa caixa de madeira com a inscrição em letras douradas: “A memória de D. Pedro II - o valor e a constância”, no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

A Guerra do Paraguai tem seu final com a morte de Francisco Solano López, em 1º de março de 1870, pelo cabo de cavalaria José Francisco Lacerda, na região de Cerro Corá.

Cabe salientar que o maior índice de mortes durante a guerra, foram as cóleras, inanição, desidratação, infecções pela falta de antibióticos e de higiene, além de que a farda era de lã, e que boa parte dos deslocamentos eram em banhados e locais insalubres.

 

 

 

 

 

Bandeira Imperial

 

 

  • Manoel Eufrásio de Assumpção
    Vapor Marques de Olinda
    Fragata Amazonas
    Manoel Eufrásio de Assumpção
        Vapor Marques de Olinda
    Fragata Amazonas