Polícia Ambiental e MP fazem operação em 13 mil quilômetros e aplicam mais de R$ 6 milhões em multas durante a Operação Mata Atlântica em Pé
20/09/2019 - 18:00

Durante a Operação Mata Atlântica em Pé, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental Força-Verde (BPAmb-FV) apreendeu mais de 14 toneladas de carvão e 104 m³ de madeira, além de lavrar 85 autos de infração ambiental e prender uma pessoa em flagrante, entre os dias 16 e 20 de setembro. Os resultados foram apresentados em coletiva de imprensa, que aconteceu na sede do Ministério Pública do Paraná, no Centro Cívico, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira (20/09). No Paraná foram patrulhados mais de 13 mil quilômetros em áreas de mata e aplicados mais de R$ 6 milhões em multas.

 

Esta é a terceira edição da Mata Atlântica em Pé, que vem sendo realizada anualmente no Paraná desde 2016, de forma pioneira. “Este ano, a operação abrangeu 63 polígonos, em quatro municípios, que foram Prudentópolis, Guaparapuava, Pinhão e Reserva do Iguaçu, e pudemos constatar 688 hectares de área desmatada, o que superou o número do ano passado”, afirmou o comandante do BPAmb-FV, tenente-coronel Adilson Luiz Correa dos Santos.

 

A Operação ocorreu em 16 estados que possuem áreas de Mata Atlântica, com a participação do Ministério Público (MP), do Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da ONG SOS Mata Atlântica, entre outros órgãos estaduais e polícias militares de vários estados. “Nós pegamos as imagens da SOS Mata Atlântica e do INPE e verificamos in loco o que está ocorrendo. Uma vez constatadas irregularidades, adotam-se as medidas cabíveis e tudo é encaminhado ao Ministério Público”, explicou o coordenador nacional da Operação e promotor de justiça, Alexandre Gaio.

 

O efetivo empregado nesta terceira fase da Operação contou com 80 policiais militares, distribuídos em quatro postos de comando, 27 viaturas, um helicóptero e um drone. “As equipes se utilizam de GPS como meio de encontrar os alvos, que são identificados através da localização geográfica”, afirmou o tenente-coronel Adilson.

 

RESULTADO – Nos quatro dias, foram fiscalizados 53 pontos, o que gerou multas que totalizaram R$ 6,204 milhões. Ao todo, 85 autos de infração foram lavrados, 53 ofícios encaminhados ao MP, feitos quando não há prisão em flagrante, uma pessoa foi presa e outras 294 foram abordadas. Foi feito patrulhamento aéreo (6h de voo), à pé (360 km) e motorizado (13.340km). Foram apreendidos 104 m³ de madeira (equivalente a oito caminhões carregados), 14.290 kg de carvão e um trator.

 

Os dados alcançados até o momento já superam a edição anterior. Em 2018, foram apreendidos 7.467 m³ de madeira e emitidas multas de mais de R$ 20 milhões. No Paraná, a edição do ano passado foi desencadeada nos municípios de Guarapuava, Prudentópolis, Inácio Martins e Pinhão, sendo constatado o desmatamento de 618 hectares, e emitidas 22 autuações, o que gerou, na época, mais de R$ 2 milhões em multas.

 

Em todos os estados que participaram da ação, foram fiscalizados 500 áreas de floresta e confirmados mais de 5.300 hectares de desmatamento. Ao todo, a operação já gerou R$ 22 milhões em multas.

 

Durante a coletiva, o promotor Alexandre Gaio contou que 98% das ações deflagradas por meio das imagens via satélite resultam na constatação de áreas desmatadas. “Elas são um indicativo importantíssimo, porque, durante a verificação o que costuma ocorrer é encontrarmos uma área ainda mais destruída”, afirmou. “Esse trabalho a longo prazo vai fazer com que a sociedade traga para si este problema que é o desmatamento”, completou.

 

“Quando há uma supressão de florestas, o que temos é uma sequência de problemas. Se pegarmos os pontos aqui no Paraná, por exemplo, vemos que não há benefício algum no ato de desmatar, até porquê, há diversos pontos em que encontramos áreas de plantações e produções desativadas”, afirmou o diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani.

 

O comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental explicou que o trabalho de fiscalização na região Centro-Sul do estado não para com o fim da operação. “Temos ao todo nove pontos que ficaram pendentes, alguns por dificuldade de chegarmos ao local específico, e que devem ser fiscalizados ainda esta semana”, afirmou. Ele ainda destacou que a Batalhão com policiamento ostensivo em todo o estado a fim de coibir o desmatamento e outros crimes ambientais.

 

MAPEAMENTO – Feito pela ONG e pelo INPE, o mapeamento é obtido por meio de sensores dos satélites do programa Landsat, que geram imagens com 30 metros de resolução. O material é submetido à interpretação visual que permite a delimitação de fragmentos florestais com área mínima de 3 hectares.

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