Batalhão de Patrulha Escolar (BPEC) adapta apostila do PROERD para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
02/04/2021 - 16:10

Com o objetivo de incluir os portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Programa de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), o Batalhão de Patrulha Escolar (BPEC) fez uma adaptação da apostila de aula do programa. O material já foi revisado pelo Centro de Formação do PROERD no Rio de Janeiro (RJ) e atualmente está sendo traduzido para que seja encaminhado ao Drug Abuse Resistance Education (D.A.R.E.) nos Estados Unidos. O avanço é uma comemoração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo no dia 2 de abril. 

Segundo o Comandante do BPEC, tenente-coronel Marcelo Toniolo de Oliveira, a aprovação da apostila adaptada do PROERD proporcionará a utilização desse material pelos policiais educadores sociais do programa em outras Unidades da Federação ou até mesmo em outros países, resultando num grande movimento de inclusão e benefício para muitos alunos e suas famílias.

“Criar essa apostila adaptada é um marco da Polícia Militar do Paraná em benefício de todo o Brasil. O trabalho envolveu profissionais especializados para não distorcer o que já vinha sendo trabalhado há muitos anos no PROERD. Desde o primeiro retorno que tivemos do Centro de Formação do PROERD no Rio de Janeiro eles já nos parabenizaram pela iniciativa e nos disseram que ela é aplicável para esses alunos”, disse o tenente-coronel Toniolo.

O livro do estudante adaptado para o currículo do 5º ano do Ensino Fundamental “Caindo na Real” foi idealizado pelo capitão da Reserva Remunerada Luiz Frederico da Mota Figueiredo, que labuta juntamente com outras dezenas de famílias pelo respeito aos portadores de algum espectro autista.  “O projeto se iniciou em 2016, quando nós nos unimos com o Regimento de Polícia Montada (RPMon) e promovemos um evento para os pacientes da Clínica Self Center e também aos filhos dos policiais militares que tinham crianças com esse espectro. A partir daí foi feita uma capacitação aos policiais do PROERD e após surgiu a ideia de fazer essa adaptação”, explicou o capitão Mota.

O projeto é pioneiro e teve apoio da Clínica Self Center com profissionais de psicologia com experiência de décadas na aplicação de terapias. A Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (ASSOFEPAR) também se engajou na iniciativa e fez a confecção do material. “A apostila do PROERD se baseia nas histórias sociais e o autista depende muito das imagens para entender determinados assuntos. Como na nossa apostila muitos dos assuntos são escritos, nós adaptamos algumas questões, sem fugir do tema, em forma de história em quadrinhos”, detalhou.

Segundo o capitão Mota, o projeto busca a inclusão desse público, porque o aluno autista muitas vezes ele está em sala de aula, mas não consegue participar efetivamente. "Ter um material adaptado, que já está previsto na legislação de ensino, proporciona a esses alunos a possibilidade de se envolver no processo educacional”, disse o capitão Mota.

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é comemorado no mundo todo no dia 2 de abril e foi definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2007. O Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição de saúde caracterizada por déficit em duas importantes áreas do desenvolvimento: comunicação social e comportamento. A OMS estima que uma a cada 160 crianças no mundo seja portadora do TEA.

Com a Pandemia da Covid-19, desde 2020 as ações de conscientização acontecem nas redes sociais com o tema “Respeito para todo o espectro” e a data é celebrada com a hashtag #RESPECTRO.

Recentemente, houve algumas conquistas na legislação nacional, como a Lei Berenice Piana, 12.764/2012, que vinculou os autistas aos direitos dos portadores de deficiência, e a Lei Romeu Mion, 13.977/2020, que criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

O dia 2 de abril é o momento de lembrar da importância do respeito, do diagnóstico precoce, do atendimento multiprofissional, da terapia nutricional, de medicamentos e informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento, além da inclusão escolar e do ensino profissionalizante.

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