“Naquele momento, a gente não pensou em nada”: policiais reencontram família após resgate em cabeça d’água em Guaratuba 18/01/2026 - 13:51

A linha que separa um dia de lazer de uma tragédia irreparável pode ser medida em segundos. Para a família de Marcelo Zander, esse intervalo foi decisivo entre a vida e a morte na quarta-feira (14), em Guaratuba, quando foram surpreendidos por uma cabeça d’água no Rio São João. O reencontro neste sábado (17) com os policiais militares que os salvaram, transformou o trauma em um abraço de gratidão entre a família e os soldados Alessandro de Moura Gouveia e Rafael Cabral de Lima, da Patrulha Rural do 9º Batalhão da Polícia Militar do Paraná (PMPR).

“É uma emoção muito grande ver eles nos abraçando e transmitindo toda essa alegria que sentem hoje, após um susto tão grande”, afirmou o soldado Gouveia durante a visita à residência da família.

O resgate começou a ser desenhado poucos minutos antes do incidente. A equipe da Patrulha Rural realizava policiamento preventivo na região da Ponte Invertida quando decidiu fazer uma parada estratégica para reforçar a segurança dos turistas que estavam no local. “O rio estava aparentemente calmo, com bastante pessoas próximas, e resolvemos fazer um ponto-base”, relatou o soldado Cabral.

Segundo Cabral, cerca de três minutos após a parada, o cenário mudou completamente. “Eu olhei para o rio e percebi um grande volume de água descendo rapidamente. As pessoas começaram a correr e gritar por socorro”, contou.

Em questão de instantes, Marcelo, a esposa e o filho, de cinco anos, ficaram isolados no meio da correnteza. O pai relembra o desespero vivido naquele momento. “Ver meu filho quase sendo arrastado pela água, eu tentando socorrê-lo, minha esposa tentando ajudar… você se sente totalmente impotente diante da força da natureza”, relatou.

Os pedidos de ajuda ecoavam pelo local enquanto as pessoas ao redor, também assustadas, não conseguiam se aproximar. “Meu filho escorregava das minhas mãos. Eu abracei os dois, já me afogando, com a água cobrindo, e então a polícia chegou no momento certo”, disse Marcelo, emocionado ao reencontrar os policiais.

Sem tempo para protocolos ou equipamentos, os policiais entraram imediatamente na água. “Naquele momento, a gente não pensou em nada. Não pensamos em equipamento e, falo isso e repito, a gente não pensa nem na própria vida. A vontade de salvar vidas falou mais alto”, destacou Gouveia.

Para Cabral, a ação foi marcada por um sentimento difícil de explicar. “A gente se sente como uma ferramenta usada por Deus, porque estar ali naquele momento não tem explicação”, afirmou.

O resgate foi bem-sucedido e, apesar de escoriações e hematomas, a família foi retirada da correnteza em segurança. No reencontro, o clima foi de alívio ao ver a criança brincando e a família reunida. Para os policiais, esse cenário representa a maior recompensa da profissão.

“Preservar e salvar vidas é fundamental para a Polícia Militar. A alegria continua a mesma, assim como a vontade, o esforço e a dedicação. Se amanhã acontecer algo parecido, o policial militar vai estar lá, ajudando a população”, reforçou Gouveia.

Ao final do encontro, Marcelo fez questão de expressar a gratidão. “Muito obrigado. Sem vocês, eu não teria saído da água. Sem a força de vocês, eu, meu filho e minha esposa não estaríamos aqui”, disse.

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